BEM VINDO A TODOS!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

MOISÉS E ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO






Existem passagens bíblicas não totalmente reveladas (Dt. 29:29); por isso não podemos estabelecer como verdade, os acontecimentos bíblicos que nos parecem um tanto misteriosos, como é o que aconteceu durante a transfiguração de Jesus. Apesar disso, muitos estudiosos da Bíblia expõem opiniões conflitantes sobre a questão do aparecimento de Moisés e Elias; após ler sobre o assunto em diversos livros teológicos, vou expor minha conclusão sobre o assunto.

No texto bíblico de Mt. 17:1-8, entendemos que a Transfiguração foi uma experiência de origem divina, uma revelação dada aos apóstolos, sobre a gloria do Reino futuro no qual, Jesus será Rei. Durante esse acontecimento Moisés e Elias foram vistos pelos discípulos, conversando com Jesus. É importante que esse texto seja lido antes de continuar a leitura deste artigo.

Jesus foi visto em sua glória; homem imortal exaltado, e também participante na natureza divina. Moisés estava representando a autoridade judaica da lei, e Elias os profetas; juntos foram vistos como representantes da autoridade básica da religião, revelada aos judeus. Há ainda alguns intérpretes que veem nesse acontecimento da Transfiguração, Moisés representando os que passaram pela experiência da morte, e Elias como a figura dos redimidos que serão arrebatados sem ver a morte.

Ali aconteceu uma reunião de sete pessoas: o eterno Deus Pai, Jesus o redentor do mundo, Moisés o representante da Lei, Elias o representante dos profetas, e Pedro, Tiago e João como o núcleo da Igreja Cristã. Estavam ali duas pessoas da velha dispensação; três da nova, uma de todas as dispensações e Deus sobre todos. Jesus orientou os três discípulos, que não contassem o fato a ninguém, antes que Ele ressuscitasse dentre os mortos. Com certeza, essa orientação era para que eles não fossem tidos como loucos ao transmitirem aquele acontecimento, porque até então, criam apenas na ressurreição para o julgamento final; naquele momento a ressurreição de Jesus ainda estava encoberta aos olhos deles. Por outro lado, quem seriam aqueles personagens que os discípulos identificaram como sendo Moisés e Elias? Eles já haviam ressuscitado e já estavam com seus corpos glorificados?

A Bíblia relata a morte de Moisés em Dt. 34:1-8; sabe-se que Moisés morreu, porque antes, Deus avisou  que isso aconteceria (Dt. 32:48-52), mas fica claro que não foi Moisés quem escreveu sobre sua morte (Dt. 34), mas entendemos que esse relato tenha sido feito por alguém que estava muito próximo a Moisés e sabia de fatos importantes; assim, foi registrado que Moisés morreu no Monte Nebo, mas foi sepultado por Deus num Vale da terra de Moabe, porém o local exato ninguém ficou sabendo até hoje. Devido a essa inexatidão, chego a pensar na possibilidade de que Moisés não tenha morrido, mas que Deus o tenha preservado para uma manifestação futura. Em contrapartida, a Bíblia registra também em Jd. v.9, a respeito da disputa entre o Arcanjo Miguel e o diabo a respeito do corpo de Moisés; entendo ser essa, uma revelação que Judas recebeu, sobre o fato de ninguém saber onde Deus colocou o corpo de Moisés.

Com certeza podemos dizer que, Elias e Moisés não ressuscitaram antes de Jesus Cristo; mesmo que eles tivessem morrido, eles também ainda não poderiam ter ressuscitado com um corpo glorioso como os discípulos presenciaram, pois a Bíblia afirma que Jesus foi à primícias dentre os mortos (I Co. 15:20-23). Jesus Cristo foi o primeiro homem a morrer e ressuscitar num corpo glorificado. Aqui reside o cerne da questão, pois tanto no Antigo Testamento como também durante o ministério terreno de Jesus e mesmo depois da Sua ressurreição, muitos morreram e ressuscitaram, porém em seus próprios corpos mortais. Dessa forma é impossível que Deus já tivesse dado um corpo glorificado para Moisés e Elias, durante a transfiguração de Jesus. Passagens bíblicas de pessoas que morreram e ressuscitaram em seus próprios corpos: I Rs. 17: 17-22; II Rs. 13:21; Lc. 7: 11-16; Lc. 8: 49-55; Jo 11:34-44; At. 9:36-42.
Vejo duas possibilidades para compreender e justificar o aparecimento de Moisés e Elias conversando com Jesus durante a Transfiguração, a saber: ou nem um e nem outro morreram fisicamente e Deus os conserva vivos numa outra dimensão, e permitiu que eles aparecessem durante aquele evento, porém estão sendo preservado para voltarem a terra para alguma missão especial, como a missão das duas testemunhas que fala em Apocalipse (Ap. 11:3), ou, se apenas Moisés realmente morreu, Deus pode ter dado apenas uma visão, para que os discípulos pudessem ter uma experiência mais contundente da divindade de Jesus e que Seu ministério estava totalmente aprovado por Deus Pai.

Dessa forma creio que, ou foi apenas uma visão dada por Deus, com o objetivo de consolar mais diretamente os discípulos, não só naquele momento, mas também mais tarde após a morte e ressurreição de Jesus, pois com certeza, eles se lembrariam daquele acontecimento; ou, realmente Moisés e Elias estão guardados por Deus numa outra dimensão, incompreensível ao conhecimento humano. Um outro objetivo divino durante a transfiguração de Jesus, foi para demonstrar o êxito do Seu ministério terreno, confirmado pelo próprio Pai quando ouviu-se a voz do meio da nuvem “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi” (Mt.17:5b). Um terceiro propósito divino foi demonstrar aos discípulos que Jesus não era quem o povo dizia que Ele era (Mt. 16:13-17). Dessa forma, somente Jesus transfigurou-se em corpo glorioso; a aparição de Moisés e Elias foi apenas uma visão dada aos discípulos.

Em face de essas considerações fico aberta a outras interpretações que algum teólogo possa apresentar, de forma que esse acontecimento durante a transfiguração de Jesus, possa ser melhor compreendido.
Por Sonia Valério da Costa
Em 04/11/2012
____________________________
Fontes consultadas:
A Bíblia Sagrada.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal: ARA. Rio de Janeiro, CPAD, 1996. 2012 p.
A Bíblia Explicada. 18. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005. 507 p.
BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. São Paulo, Vida, 2009. 2271 p.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. R. N. Champlin. 9.ed. São Paulo, Hagnos, 2008. 6v