BEM VINDO A TODOS!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

AH! COMO É BOM SER IDOSO! ...

 
UMA CULTURA FASCINADA PELA JUVENTUDE
 
 
 
Dr. Stephen J. Nichols é professor parceiro do Ministério Ligonier e professor de teologia e história da igreja na Lancaster Bible College em Lancaster, Pennsylvania. Ele é autor do livro Heaven on Earth: Capturing Jonathan Edwards's Vision of Living in Between.
 
Talvez isso tenha começado antes dos anos 50 e 60, mas essas duas décadas parecem ter marcado o aumento do fascínio pela juventude na cultura americana. A famosa frase que celebra o espírito jovem, quase sempre atribuída de forma equivocada a James Dean, declara: "Viva rápido, morra jovem e deixe para trás um cadáver bonito".
 
A música popular, o barômetro da cultura popular, acompanhou essa tendência. Quase todas as bandas de heavy metal dos anos 80 e 90 tinham aquela conhecida melodia sobre jovens heróis caindo em um "esplendor de glória" 1. Outras referências da música pop enfatizam o poder invencível da juventude. Rod Stewart canta sobre ser "para sempre jovem" ("Forever Young"). Em seu hit de sucesso "We Are Young" ("Somos Jovens"), o grupo contemporâneo Fun declara que essa juventude vai "incendiar o mundo". O narrador sentado no banco de um bar em "Glory Days" ("Dias de Glória"), de Bruce Springsteen, afoga as mágoas da sua meia-idade ao recontar suas façanhas e triunfos vividas no ensino médio. Nenhum de nós quer reviver os momentos difíceis do colégio, mas quem dentre nós não acolhe desejos secretos de ser jovem de novo e aparentemente capaz de conquistar o mundo?
 
As inclinações sutis, e as não tão sutis, à idolatria da juventude manifestam-se em três áreas. A primeira é uma exaltação dos jovens sobre os idosos. Isso inverte o paradigma bíblico. A segunda é uma visão do ser humano que valoriza a beleza externa (não deve ser confundida com a verdadeira beleza e estética), a força e a realização humana. Pense na líder da equipe de torcida e no famoso jogador de futebol. O terceiro é o domínio do mercado pelo grupo demográfico jovem. Isto é, a fim de ser relevante e bem sucedido, deve-se apelar para a juventude ou para o gosto dos jovens. Essas manifestações de nossa cultura fascinada pela juventude merecem um olhar mais de perto.
 
A tendência de exaltar a juventude e deixar de lado os mais velhos decorre de um problema mais profundo que pode ser resumido na expressão "O mais novo é melhor". Nós celebramos o novo e o inovador ao passo que menosprezamos o passado e a tradição. Há uma vitalidade atraente na juventude e nas ideias novas, mas isso não significa que não há sabedoria a ser encontrada no passado. É um sinal de arrogância pensar que se pode encarar a vida sem a sabedoria daqueles que vieram antes de nós. Há algo na juventude que faz com que os jovens pensem que são imunes aos erros e equívocos daqueles que lhes antecederam. Todos nós superestimamos a nós mesmos e as nossas capacidades. Simplificando, precisamos da sabedoria advinda do passado e dos mais velhos.
 
A idolatria da juventude infiltra-se até mesmo na igreja. Uma das maneiras de vermos isso é através da ênfase que é dada aos grupos de jovens da igreja. Curiosamente, Jonathan Edwards, em sua carta a Deborah Hathaway, conhecida como "Carta a uma jovem convertida", a encorajou a se juntar a outros jovens na igreja para orarem juntos e discutirem sobre seus progressos na santificação, como uma forma de encorajar um ao outro. Resumindo, ele a estava chamando para começar um grupo de jovens. Os grupos de jovens podem servir um propósito significativo e podem ser um ministério importante. No entanto, ao fazer isso, eles podem estar separando os jovens das outras faixas etárias da igreja. A igreja precisa adorar, aprender e orar junta, velhos e jovens lado a lado. A cultura tenta empurrar o velho para fora. A igreja não pode fazer isso.
 
Visto que precisamos da sabedoria dos idosos no corpo de Cristo, precisamos também da sabedoria do passado. O mais novo nem sempre é melhor. Às vezes é pior; às vezes é errado. Como igreja, somos um povo com um passado. O Espírito Santo não foi dado exclusivamente à igreja do século XXI. Ignoramos ou desprezamos o passado para o nosso próprio prejuízo.
 
O caminho para sair da escravidão desta celebração indevida da juventude é promover uma comunidade verdadeiramente diversificada em nossas casas e em nossas igrejas. As lacunas entre as gerações podem ser desagradáveis e se tornar barreiras para que ambos os lados tenham uma comunhão genuína e autêntica. No entanto, Deus projetou a Sua Igreja de tal forma que precisamos uns dos outros. Paulo ordena especificamente a Timóteo que faça com que os mais velhos ensinem os mais jovens (Tito 2:1-4). Saímos perdendo quando pensamos que não temos nada para aprender com outras pessoas que estão em diferentes fases da vida. A igreja atual também perde quando pensa que não tem nada a aprender com a igreja de ontem.
 
Os mais velhos podem sentir-se intimidados na tentativa de alcançar os mais jovens, porém os mais velhos devem tomar a iniciativa. Os jovens podem tirar os seus fones de ouvido e olhar além dos seus iPods. Filhos e netos precisam ouvir as histórias de seus pais e avós.
 
A segunda manifestação da nossa cultura fascinada pela juventude é uma visão distorcida da humanidade. A nossa cultura determina o valor de um ser humano com base na aparência dele ou dela. Pais, professores, pastores de jovens e pastores sabem como a imagem corporal pode ser absolutamente devastadora para a juventude de hoje. Sabemos também que, teologicamente, a dignidade humana e, portanto, o valor humano origina-se em nossa criação à imagem de Deus. Nossa cultura obcecada pela juventude usa uma medida imperfeita para determinar o valor humano.
 
Por outro lado, também perdemos de vista a fragilidade e a depravação humana. Nós não somos fortes. Isaías nos lembra: "Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças". (Isaías. 40:30-31a). O tema da força de Deus manifestada em nossas fraquezas reverbera por meio dos escritos de Paulo. Todavia não vamos conseguir ouvi-lo, se estivermos focados em imagens de força e invencibilidade da juventude.
 
Precisamos ajudar os jovens a enxergarem que o valor deles advém do fato de serem feitos à imagem do Criador e do Redentor. Na cultura de hoje, está cada vez mais difícil passar pela adolescência de forma saudável. Nossos jovens estão rodeados por imagens do belo e do magro, do jovem e do lindo. As imagens de perfeição os bombardeiam. Meu amigo Walt Mueller, autor e presidente do Center for Parent/Youth Understanding [Centro de estudos para Pais e Jovens], tem pesquisado a indústria de publicidade por anos. Sua conclusão? Imagens evidentes e sutis passam diante dos olhos de um adolescente comum pelo menos centenas de vezes por semana. Adicione a isso a mensagem de imagem corporal que chega, em grande parte, através da música pop e do cinema, e você verá o desafio. A cultura jovem precisa da ajuda da igreja para pensar biblicamente sobre uma visão saudável e que honre a Deus de si mesmo e dos outros.
 
A terceira manifestação da cultura jovem tem a ver com a forma como esse grupo demográfico impulsiona o mercado. O motor econômico que dirige grande parte da cultura popular, em termos de filmes e música, pelo menos, é o grupo com recursos desregrados - adolescentes e jovens aos vinte e poucos anos. Grupos de jovens e até mesmo igrejas que buscam ser "bem sucedidos", estão correndo para acompanhar o ritmo deles.
 
A escritora sempre perspicaz, Flannery O'Connor, do sul dos Estados Unidos, avaliou, uma vez, em um debate sobre o uso de um romance polêmico nas salas de aula das escolas públicas. Ao invés de debater os méritos ou deméritos específicos do livro, O'Connor levantou uma questão mais profunda. Ela observou que os defensores do livro formaram seu argumento, alegando que o livro era atual e da moda, razões pelas quais os jovens se interessavam por ele. "Por que não atender a vontades deles?" foi o argumento. O'Connor por sua vez formou seu argumento pela confiança no cânone literário, e não na ficção popular. Em seguida, ela partiu para o ataque em suas frases finais: "E se o aluno descobrir que aquele estilo não é do seu gosto? Bem, isso é lamentável. Muito lamentável. Seu gosto não deve ser consultado, está sendo formado", ("A ficção é uma matéria com uma história ela deve assim ser ensinada").
 
Alguns podem rejeitar o argumento de O'Connor, considerando-o como um apelo elitista. No entanto, ela mostra uma razão justa. Há o que achamos necessário e há o que realmente é necessário. Às vezes algumas décadas são necessárias para ver a diferença.
 
O sociólogo Christian Smith criou a frase deísmo terapêutico moralista para descrever a visão religiosa proeminente da juventude americana. Sua descrição é plausível, mas como devemos responder? Simplesmente satisfazer a esses gostos é ceder. Ao fazermos isso, perde-se o evangelho e as exigências da vida cristã.
 
Uma daquela baladas de rock à qual me referi anteriormente ecoa repetidas vezes uma frase assombrosa: "Dê-me algo para acreditar". Ela conta uma história de busca, mas que encontra apenas decepção e desilusão. Contudo, persiste o desejo de acreditar em alguma coisa. Os sociólogos dizem que a cultura da juventude contemporânea valoriza a autenticidade. Nós alcançaremos melhor a cultura jovem se não cedermos à pressão ou fingirmos estar na moda - de qualquer maneira, é muito difícil fingir estar na moda. O respeito de uma pessoa pela outra cresce bastante quando uma simplesmente fala e vive a verdade em amor.
 
A cultura jovem atual enfrenta um grande problema de ansiedade. Em quase todos os níveis, um futuro incerto nos espera no horizonte. Mas essas ansiedades são apenas os sintomas de um problema real, sombras da ansiedade que a humanidade enfrenta por causa da alienação. Nosso pecado nos separa de Deus. E nós precisamos de alguém em quem acreditar. Nenhum de nós, jovem ou velho, precisa de uma religião terapêutica. Todos nós precisamos do evangelho. E todos nós precisamos de uma igreja de jovens e idosos - entre outras idades - que anuncie e viva o evangelho.
 
1 - N.E.: Referência a música "blaze of glory" de Jon Bon Jovi.
 
 
Fonte: E-mail: Sandra Alice - SECRETÁRIA DO CRIM

 

DILMA ROUSSEF, PODE SANCIONAR LEI QUE LEGALIZA O ABORTO


 
 
 
 
 
A presidente Dilma Rousseff pode sancionar uma lei que abre brecha para a legalização do aborto no Brasil. O projeto passou “desapercebido” pelo Senado e pela Câmara.
Um projeto de lei terminativo que dormitava há 14 anos, que abre brecha para a legalização do aborto, entrou em pauta nas comissões, foi aprovado na Câmara e Senado e chegou à mesa da presidente Dilma para sanção.
Ele dispõe sobre atendimento especial e obrigatório em hospitais públicos da rede SUS a vítimas de violência sexual, deixando a cargo do médico a ‘profilaxia da gravidez’.
No bordão médico, entende-se em suma por ‘profilaxia’ a aplicação de meios ou medicamentos tendentes a evitar algo ou uma doença. Neste caso, a gravidez.
Mas o texto não detalha o tratamento a ser dado e abre brecha para o aborto em geral. Ou seja, apesar de direcionado a vítimas de estupro, as mulheres em gestação inicial, embora não vítimas de abuso mas que desejem abortar, podem recorrer a isso para um aborto legal via medicamentos.
O PLC 3/2013 no Senado (antigo PL 60/99 da Câmara), cujo inciso IV do Parágrafo 3º prevê a profilaxia, foi apresentado pela então deputada Iara Bernardi (PT-SP) como “prevenção de gravidez”, mas sofreu resistências e foi engavetado. Voltou há poucos meses com lobby de grupos feministas e deixou em polvorosa ontem a bancada cristã. E em situação delicada o líder do PMDB na Câmara, deputado evangélico Eduardo Cunha (RJ), quem deu parecer pela prioridade na tramitação.
Sondado por aliados, Cunha se assustou e disse que não notara o inciso. Deputados e senadores da bancada cristã foram cobrados. A Igreja e entidades contra o aborto entraram em operação e enviaram alertas ao Palácio do Planalto.
Ontem o diretor do Instituto Provida de Brasília, o advogado Paulo Fernando Melo, mandou e-mail de alerta para o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência. Gilberto é ligado à Igreja e foi um dos articuladores da retomada da campanha de Dilma em 2010 junto aos cristãos, após o boato de que ela era a favor do aborto.
 
UOL
 
E-mail:

Sandra Alice





 

ESPERANÇA EM MEIO À ADVERSIDADE

Posted: 10 Jul 2013 05:33 PM PDT


O evangelho de Jesus Cristo promete ao homem que verdadeiramente crê nele e o ama que, sejam quais forem suas circunstâncias e condições, e seja o que for que esta ou aquela pessoa faça, sua alegria pode permanecer, e permanece.” (Martyn Lloyd-Jones)

As prisões fizeram parte da vida e ministério de Paulo (At 16.23-26; Rm 16.7; 2 Ef 3.1; 4.1; Co 6.4-5; 11.23; Fl 1.12-14; Cl 4.10; Fm 1; 9; 23). A pregação do Evangelho aos filipenses foi marcada por prisões (At 16.16-40), e agora Paulo lhes envia uma carta estando preso (Fp 1.12-14). 

TRANSFORMANDO A ADVERSIDADE EM OPORTUNIDADE

As prisões de Paulo foram adversidades que se transformaram em oportunidades para a pregação do Evangelho. Carcereiros, guardas, presos e visitantes puderam ouvir o testemunho da vida, morte e ressurreição de Jesus através de Paulo. O apóstolo dos gentios não apenas aproveitou a oportunidade, mas em Cristo, na graça e no poder do Senhor, manteve o ânimo necessário para não esmorecer na fé, e ainda fortalecer outros com o seu exemplo. Regozijo (chairo) e alegria (chara) são termos comuns nesta epístola (Fp 1.4, 18; 2.2, 17-18,28- 29; 3.1; 4.1, 4, 10). Há algo de paradoxal no estado de espírito do apóstolo, que consegue mesmo entristecido, se alegrar (2 Co 6.10). Não se trata aqui de autoajuda para vivenciar tal realidade, mas da ajuda do alto.

Lloyd-Jones, ao comentar sobre as prisões de Paulo, afirma:

Mais cedo ou mais tarde na vida, todos nós topamos com circunstâncias adversas, e nos vemos nalgum tipo de prisão. Pode ser um leito de enfermidade, ou um hospital; pode ser um acidente; pode ser uma aflição ou uma tristeza. Alguma coisa nos colocou ali: estamos nessa prisão e não podemos evitá-la. Para nós, o importante é saber, antes de chegarmos lá, o segredo de como vencer tal prova, de como podemos ter esta alegria no Senhor, apesar das circunstâncias, como superá-las todas, como derrotá-las; como podemos ter suprema superioridade sobre elas.[1]
 
Quantos neste exato momento não se encontram presos de corpo e alma, sem ação, prostrados em camas, cativos em seus quartos, acorrentados em cadeias emocionais, prisioneiros em seu próprio ser, imobilizados pelas circunstâncias adversas da vida, paralisados pela perda de alguém amado. Paulo era humano como eu e você, e estava sujeito aos sentimentos listados acima. O seu segredo? Bem, o seu segredo vinha de duas direções. Em primeiro lugar vinha de cima, do Senhor: “ [...] tudo posso naquele que me fortalece.” (Fp 4.13). Em segundo lugar, vinha do lado, dos irmãos e amigos amados: “Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação.” (Fp 4.14). Sim, para superarmos as adversidades, para vencermos as prisões, para nos alegrarmos em cadeias, precisamos do Senhor e uns dos outros. O salmista expressa muito bem tal verdade ao declarar: “O Senhor está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem? O Senhor está comigo entre os que me ajudam; [...]” (Sl 118.6-7a). Ainda no plano horizontal, Paulo se regozijava, pois os seus sofrimentos e prisões resultavam em conversões e transformações de vidas[2], ou seja, no progresso do evangelho (Fp 1.12, traduzido na ARC por “proveito do evangelho”):

No original, a palavra traduzida por “progresso” é um termo militar que retrata trabalhadores com machetes e machados abrindo caminho através da mata, a fim de preparar a passagem para o exército. Era de máxima importância abrir caminho para o exército avançar. [...] No versículo 25, o “progresso” que Paulo espera ver na igreja filipense se refere ao crescimento deles na fé e na maturidade espiritual. Aqui ele fala no “progresso do evangelho” no sentido de o evangelho “se tornar conhecido em toda a guarda pretoriana” (v. 13).[3]

 A nossa perspectiva sobre as circunstâncias influenciará nossas ações e reações. Paulo nos ensina como alguém que colocou Cristo no centro absoluto de sua vida deve se portar diante das adversidades.[4]

Com a ajuda do Senhor e dos amigos, superaremos todas as lutas e prisões que querem nos deter, que tentam nos fazer parar na caminhada.

MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO

Em meu livro Uma Liderança com Saúde, publicado pela Arte Editorial, contextualizo o problema das motivações para a pregação do evangelho. Segue abaixo o texto na íntegra:

Sempre que discuto a questão que envolve as motivações para a pregação do evangelho na atualidade, que além de inveja e porfia inclui o interesse financeiro-mercadológico, e outros mais, escuto pessoas citarem Paulo: “Contanto que Cristo seja anunciado...”. 

Fazendo uma breve análise sobre a questão, fica claro que Paulo entendia que a pregação do evangelho, que em si mesmo é poderoso (Rm 1.16), resultaria na salvação de vidas. Dessa maneira, é preciso separar os resultados da pregação, da prestação de contas que o pregador fará a Deus.

Com certeza, ao longo dos séculos, independentemente de quem   o pregue e de suas reais motivações, o evangelho tem transformado e libertado vidas. Tal fato, é bom deixar claro, não justifica as reprováveis intenções dos seus mensageiros.

Aqueles que nos dias de hoje estão buscando “lucrar” com a pregação do evangelho, e com isso fazendo crescer os seus impérios pessoais (ou institucionais), no devido tempo serão tratados e cobrados por Deus. Ninguém se engane, pois os resultados em números de conversões em nada diminui a responsabilidade pessoal de quem lida com o Reino de Deus, como se esse fosse negócio, comércio e campo de batalhas pessoais ou ministeriais.

Nesse sentido, as disputas fugiram do campo pessoal para o institucional, onde vários templos são construídos por causa de pirraças, birras, intrigas e competições entre ministérios locais, convenções estaduais e nacionais. A motivação de alguns há muito deixou de ser a glória de Deus e passou a ser  demonstrar a forçar pessoal, ministerial ou financeira, ou defender o seu “pedaço de terra”, sua “capitania hereditária”, seu “feudo” ou “campo”. Neste contexto, muitas justificativas são dadas por quem “invade” e por quem “se defende do invasor”. No final de tudo, tenho a certeza de que o Justo Juiz saberá tratar de cada questão. 

O princípio da advertência quanto aos falsos profetas cabe aqui também, pois os mesmos serão julgados por suas intenções ou disposição interior (Mt 7.15), pelo que se passa em seus pensamentos e motivações. Não é a simples aparência do fruto (obra ou realização), embora isso, dependendo do contexto tenha a sua devida importância, mas é a sua essência que prova se de fato possui boa qualidade (Mt 7.16-20):

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mt 7.21-23)

Uma prática iníqua é resultado de uma intenção ou motivação iníqua.

No momento, diante da diversidade de interesses que norteiam a pregação do evangelho, associada a nossa incapacidade de conhecer plenamente as intenções e motivações dos pregadores e dos construtores de templos, fiquemos com o que Paulo escreveu: “Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda.”

Não nos esqueçamos, contudo, de continuar orando por todos.[5]

Entre pregadores (ou conferencistas) há também disputas, e quem deseje “brilhar” mais do que o outro, ser o “cara” da vez. O lema destes é: “Importa que Jesus cresça, e eu também!”. Sobre isto, também escrevi em Uma Liderança com Saúde.[6]

Tenhamos a mesma postura e atitude do apóstolo Paulo. Se a inveja e a porfia forem as motivações de quem quer seja na pregação do evangelho ou na implantação de igrejas, deixemos isto com o Senhor, e avancemos fazendo o que Ele nos mandou realizar, utilizando os recursos espirituais, pessoais, financeiros e materiais que dispomos, providos em graça por Ele, Senhor de tudo e de todos.

VIVER OU MORRER?

Que é a vida? Que é viver? Lloyd-Jones apresenta em seu comentário sobre a Epístola de Paulo aos Filipenses alguns conceitos filosóficos sobre a vida.[7] São eles: 

- O Conceito Epicureu. Aqui a vida é sinônimo de prazer: comer, beber, dançar, etc. (curtir é um termo atual que se encaixa bem no significado de vida para os epicureus).
- O Conceito Estóico. Para o estoicismo a vida é algo que temos que suportar. Viver implica na necessidade de sobrepor-se às tragédias.
- O Conceito Cínico. A vida não tem sentido. Viver é viver errante, seguindo o curso da natureza. Aqui cabe bem a ideia de vida do tipo “deixa a vida me levar, vida leva eu.”
- O Conceito Místico. A ideia típica do místico é que a vida e todos os seus males têm como causa suprema a carne, e que a salvação se acha em ele sair da carne e em não se identificar com ela. Sua atitude em relação ao mundo é meramente passiva.
- O Conceito Humanista. Para o humanismo viver significa uma oportunidade de fazer o bem, de melhorar o mundo e de promover a elevação do estado da sociedade.
- O Senso Comum. O conceito do homem comum sobre a vida, é que ela consiste em nossas famílias, nossos lares, nosso trabalho, nossas ocupações, nossas atividades, nosso viver diário. Estando o valor maior da vida nas coisas aqui listadas, quando são tiradas de nós, a nossa vida no mundo entra em colapso e ficamos sem nada.

Quando Paulo fala em “o viver é Cristo”;

Ele se refere ao supremo valor da vida, àquilo para o que e pelo que vive, àquilo sem o que a vida, para ele, seria sem objetivo e sem sentido. Ele se refere àquilo que controla tudo o que compõe a sua vida. Talvez a melhor maneira de o expressar seja dizendo o seguinte: o que Paulo está realmente dizendo sobre si próprio é que ele ama Cristo. Ele O ama e, como sempre se pode dizer do amor, seu amor a Cristo domina e controla sua vida. È para isso que eu vivo, diz ele, nisso consiste a natureza e o objetivo disso tudo. [...] Ele se refere como eu passo a maior parte do meu tempo quando tenho lazer, o que leio e no que penso.[8]

Paulo nos fala de um viver cujo trabalho produz fruto para a glória de Deus, que pensa no bem que isso pode resultar para o próximo (Fp 1.22, 24).

E a morte? O que ganhamos ou lucramos com ela? O termo “partir”, do grego analysai, possui um rico significado:

[...] significa ficar livre de um fardo. Esse era um termo usado pelos agricultores em referência ao ato de remover o jugo dos bois. [...] Partir e estar com Cristo significa colocar de lado todos os fardos, pois o seu trabalho na terra estaria consumado.[9][...] significa levantar acampamento. A ideia central aqui é a de desatar as cordas da tenda, remover as estacas e prosseguir a marcha. A morte é colocar-se em marcha. Cada dia dessa marcha é uma jornada que nos aproxima mais do nosso lar. Até que enfim se levantará pela última vez o acampamento neste mundo e se transferirá para a residência permanente na glória.[10]  [...] significa desatar as amarras do barco, levantar a âncora e lançar-se ao mar. Morrer é empreender essa viagem para o porto eterno e para Deus.[11]

Em relação à vida terrena o sentimento de Paulo era de incerteza. Já quanto a sua condição em relação à eternidade era de grande convicção. Sobre isto Shedd escreve:

Quando Paulo olhou seu futuro incerto, ele desconhecia o número de dias ou meses de sua prisão, não sabia que sentença lhe dariam quando seu caso fosse julgado, mas sabia uma coisa: conhecia a Cristo. E porque conhecia a Cristo, para ele faria muito pouca diferença o ser solto ou decapitado, pois qualquer dos dois caminhos iria manter sua “hipótese central”, que era a comunhão contínua com seu amado Senhor. Continuaria uma pessoa bem realizada e alegre, acontecesse o que acontecesse, pois é assim que se deve encarar o futuro. Quando a pessoa tem sua confiança total no deus onipotente, nada de ruim pode sobrevir, porque os eventos e as circunstâncias são controlados por ele. Só haviam duas opções, e qualquer delas que Deus escolhesse para Paulo tinha que ser a melhor.[12]

Quer vivamos, quer morramos, que seja para a glória de Deus!

Paulista-PE, 10/07/2013.


[1] Lloyd-Jones, Martyn. A vida de alegria: comentário sobre filipenses. Tradução de Odayr Olivetti. São Paulo: PES, 2008, p. 15.

[2]CABRAL, Elienai. Filipenses: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 35.

[3] SHEDD, Russel P; MULHOLLAND. Epístolas da prisão: uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 109.

[4] Ibid., p. 107.

[5]GERMANO, Altair. Uma liderança com saúde. São Paulo: Arte Editorial, 2013, p. 65-67

[6] Ibid., p. 55-59.

[7]Lloyd-Jones, Martin. Ibid., p. 99-105.

[8]Lloyd-Jones, Martin. Ibid., p. 103.

[9] WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo. Vol. 6 2006, p. 89, apud  LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. São Paulo: Hagnos, 2007, p. 94.

[10]BARCLAY, William. Filipenses, Colosenses, I y II Tesalonicenses. Vol. 11, 1973, p. 35, apud LOPES, Hernandes Dias. Ibid.

[11] Ibid.

[12] SHEDD, Russel P; MULHOLLAND. Ibid., p. 115.
 
Fonte: E-mail:
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